É à volta do mosteiro (documentado desde a última metade do século XI) que vai gravitar a vida das gentes de Rates.  Restaurado pelo Conde D. Henrique e D. Teresa (não restam dúvidas sobre a existência de uma construção pré-românica, mais modesta) é um dos mais atraentes e \" sui generis \" exemplares de arte românica em Portugal.

Nos princípios do século XVI, a vida do mosteiro tinha-se desorganizado, pelo que, em 1515, foi extinto e transformado em Comenda da Ordem de Cristo. Apesar disso, em 1517, o rei D. Manuel I dá um foral novo ao Couto da Vila e Mosteiro de Rates. É este o período mais bem conhecido da história da Vila de Rates e aquele em que ela mais prosperou.  O primeiro titular da Comenda foi Tomé de Sousa, natural de Rates e primeiro governador-geral do Brasil, tendo-se-lhe seguido uma extensa lista de comendadores e comendadeiras, até à extinção do concelho de Rates (1836).  Na primeira metade do século XVI, D. Manuel I, que por aqui passou em peregrinação a Santiago de Compostela, construiu a Igreja Matriz de Vila do Conde e, na sua frontaria, mandou gravar o brasão das terras mais importantes em redor; o brasão de Rates figura ao lado dos brasões de Vila do Conde e Póvoa de Varzim.  Com a implantação do Liberalismo, fizeram-se grandes reformas administrativas e o número de concelhos, no reino, foi reduzido a pouco mais de um terço. O concelho de Rates foi extinto e a Vila integrada no concelho da Póvoa de Varzim.  Do notável passado histórico de S. Pedro de Rates restam marcas assinaláveis: a Igreja Românica (século XI-XIII), monumento nacional e exemplar muito estudado do românico português; o Pelourinho, também monumento nacional, símbolo da antiga autonomia administrativa de Rates; a antiga Câmara (século XVIII), edifício de excecional beleza arquitetónica; um conjunto de quatro capelas, construídas ao longo dos séculos XVII e XVIII, sendo de salientar, pela sua imponente arquitetura barroca, a do Senhor da Praça, sita no centro cívico da povoação e parte principal dum bem conservado centro histórico que se prolonga por toda a Rua Direita, onde tinham residência a fidalguia e a burguesia locais.

Lenda de S. Pedro de Rates

S. Pedro de Rates      

“São Pedro de Rates foi segundo se conhece desde inícios do século XVI, um judeu convertido pelo apóstolo S. Tiago, e por ele sagrado como primeiro arcebispo de Braga, tornando assim esta capital na primeira arquidiocese cristã da Península Ibérica, título igualmente reivindicado por Toledo. A existência deste bispo mártir do século I d.c., permitiu vincar a importância e antiguidade de Braga, como diocese e atestar a lógica da independência de Portugal, país cuja origem se prende a esta região do Noroeste Peninsular, que se encontrava sob domínio da grande Bracara Augusta.

Em 1508 é introduzido na Breviário Bracarense, por D. Diogo de Sousa e, em 1552, os seus restos mortais venerados na Igreja de Rates foram transferidos para Braga. Foi portanto natural que o seu culto se propagasse, descobrindo-se imagens e relicários deste santo em muitas igrejas e capelas do Norte.

Segundo a antiga tradição, que defende que S. Tiago, apóstolo, veio pregar à Península Ibérica cerca do ano 37, este deslocou-se a Braga, onde viviam grande número de judeus, que converteu. Nesta cidade foi visitar “uma sepultura célebre, onde jazia enterrado de seiscentos anos um Santo Profeta Judeu de Nação, e que ali viera dar com outros cativos mandados da Babilónia por Nabucodonosor, chamado Malachias ou Samuel. Batizou-o e dando-lhe o nome de Pedro, o escolheu e tomou por primeiro e principal de todos os seus discípulos.

S. Pedro tinha curado da lepra a filha do Governador de Braga, converteu-a e à sua mãe ao cristianismo. A jovem “a sua virtude a consagrou por voto ao seu criador”. O pai, zangado com este fato, mandou que matassem S. Pedro, o qual avisado, se viu obrigado a fugir. Os soldados romanos indo em sua perseguição foram encontra-lo “no lugar que hoje chamam Rates, quatro léguas de Braga, onde já havia uma população de cristãos e Igreja. E ali, diante do altar, onde o acharam e foi executado o martírio”.

In Guia do Visitante, Núcleo Museológico da Igreja Românica de S. Pedro de Rates

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